“Porque peregrinais”? – Perguntei…

peregrinos de santiago - Artur Filipe dos Santos filipe dos santos

Desafiado pelos meus amigos e pelos meus alunos tenho vindo a conduzi-los pelo Caminho Português (por Barcelos e por Braga), quando, até 2017, sempre rumei À tumba de Santiago sozinho, encontrando-me com o Mundo que, tal como eu, percorria os caminhos em honra do Apóstolo, pelo seu exemplo e de tantos outros que sempre fizeram da paz e da tolerância mensagens e modos de viver a Humanidade. Não escondo que que as minhas motivações albergavam ainda a ansia de viajar no tempo a bordo das imensas facetas artístico-culturais do Caminho, tal é amalgama de estilos arquitetónicos, escultóricos, plasticidade, património imaterial, gastronomia e ainda, a vontade de uma busca interior, alicerçada pela oportuniade de viver as experiências de centenas de peregrinos, das mais diversas nacionalidades, credos e vontades, com que me fui cruzando nas “rutas xacobeas”.

E então propus as meus alunos a pergunta que dá título a esta publicação: Porque peregrinais? As mesclas de respostas faz-nos dispersar esta pergunta pelo imenso conjunto da Humanidade, mesmo tomando por exemplos épocas históricas distintas e a visão do divino ou a noção de transcêndencia ao longo dos tempos, mesmo antes de surgirem as religiões que conhecemos como monoteístas ou Abraâmicas: o judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo.

Peregrinar é uma tradição que faz parte de todas as religiões. Os seres humanos sempre buscaram a sua origem, a sua relação e proximidade com a eternidade, a natureza do divino no ser humano em si e no que o rodeia.

Um lugar onde a fronteira entre a realidade terrena e celestial é mais ténue do que em qualquer outro lugar, um local que fala sobre a presença divina na existência ou um espaço que tem um significado único na vida dos Homens. Assim, o objetivo é o mais importante numa peregrinação; o caminho é apenas um meio para chegar ao local. 

Peregrinar não é ter pressa em contar quilómetros ou etapas, é uma busca interior, a busca do divino e da transcendência em nós mesmos, não deixando de explorar o legado de todos os peregrinos que nos antecederam. Nas pedras do Caminho as diferenças culturais, sociais, raça, credo ou outras esbatem-se perante a força de tudo o que une quem caminha por uma fé, ideal ou meta. Mas não deixa de ser, sobretudo, aquilo que um peregrino quiser.

Este texto é uma homenagem aos peregrinos que durante mais de mil anos rumaram a Compostela em honra ao Apóstolo Santiago, por uma fé, pela busca do divino ou da paz interior, pelo exercício da transcendência.

Utreia et Suseia!

 

Anúncios

O que têm em Comum Barcelos (Caminho Português) e Santo Domingo de la Calzada (Caminho Francês)?

(Permitido a transcrição completa e parcial deste artigo com a seguinte cita Santos, Artur Filipe. O que têm em Comum Barcelos (Caminho Português) e Santo Domingo de la Calzada (Caminho Francês)?. Porto, 5 de janeiro de 2019. Disponível em https://bit.ly/2WIYLI9 Acedido a…)

Cruzeiro do Galo onde se pode ver a imagem do Apóstolo Santiago

Quem faz das rotas jacobeas matéria de estudo ou de peregrinação religiosa, cultural ou espiritual já sabe a resposta à pergunta formulada no título: O que têm em Comum Barcelos (Caminho Português) e Santo Domingo de la Calzada (Caminho Francês)? Mas quem só agora dá os primeiros passos de botas (ou sapatilhas) e bordão saiba que há muita tradição que ligam os dois caminhos mais percorridos até Compostela. E as lendas e a histórias que estão por detrás de paragens tão importantes como são Barcelos para o Caminho Central Português ou Santo Domingo de la Calzada para o Caminho Francês são eternas e para sempre ligarão a pequena cidade minhota ao povoado da comunidade de La Rioja, terra do melhor vinho espanhol.

Barcelos, cidade banhada pelo rio Cávado, que, mesmo depois depois de receber de D. Afonso Henriques carta de foral em 1177, sempre viveu à sombra da eterna “Bracara”, sede de distrito e principal cidade minhota.

Mas no que ao Caminho de Santiago de Santiago diz respeito, Barcelos ganhou a corrida, no momento em que, entre 1325 e 1328 foi construida a ponte de Barcelos sobre o Cávado, permitindo assim, de forma segura, encurtar em bons quilómetros a distância até ao sepulcro do Apóstolo Santo, desviando da sé bracarense os muitos apóstolos que rumavam a terras galegas.

Santo Domingo de la Calzada também tem um rio a banhar-lhe os pés, o Ojoa, e igualmente uma cidade que lhe faz sombra, desta feita a capital da comunidade riojana, Logroño.

Mas Santo Domingo de La Calzada (antes intitulada Masburguete) tem a particularidade de ver o seu nome ligado ao religioso castelhano Domingos Garcia que, nos finais do século XI e inícios do séc. XII tornou-se um dos principais impulsionadores do Caminho de Santiago ao promover a edificação de uma calçada de pedra desde Logroño a Burgos (daí o nome “de la Calzada”). Conhecido por ser, em Espanha o patrono dos engenheiros civis, Domingo Garcia foi ainda o mentor do primeiro albergue de peregrinos nesta localidade, onde é hoje a Casa de la Cofradia del Santo. Juntamente com o seu discípulo Juan de Ortega Santo Domingo iniciou ainda a construção de uma igreja de dedicada ao Salvador e a Santa Maria. Quando foi sepultado, a localidade cresceu em torno da sua tumba e ainda hoje lembrado como um dos grandes obreiros do Caminho de Santiago.

Barcelos, terra de oleiros, vê o seu nome relacionado com os célebres condes de Barcelos a partir do séc. XIII mas é só em 1928 que ganha a dignidade de cidade.

Mas então e a resposta à pergunta? Barcelos e Santo Domingo de la Calzada têm em comum o milagre do Galo. Neste caso a terra espanhola ganha 2-1, já que na lenda de Santo Domingo cabe um casal de galos.

Quanto à lenda de Barcelos é puro de mais conhecida. Remete-nos ao séc. XVI quando um peregrino (crê-se de origem galega) foi injustamente acusado por vários crimes e que na hora em que foi presente ao juiz proferiu as míticas palavras: “é tão certo eu ser inocente como este galo cantar”. E na hora em que o galego ia-se encontrar com a morte por enforcamento eis que o Apóstolo Santiago, em trajes de peregrino,  lhe segura os pés até o juiz chegar para o livrar da execução, depois de apavorado ter ouvido o galo assado cantar. Diz ainda a lenda que, quando o eregrino regressou de Compostel esculpiu pelas próprias mãos o cruzeiro que hoje se encontra junto ao palacete dos condes de Barcelos (atual museu arqueológico).

A de Santo Domingo de la Calzada remonta ao séc. XIV e relaciona-se com o próprio santo dos engenheiros: Ia um casal alemão com o seu filho de 18 anos em peregrinação a Compostela quando Chegaram a San Domingo de la Calzada e resolveram pernoitar numa estalagem. Ao conhecer o jovem ao jantar, a filha do estalajadeiro enamorou-se pelo rapaz, mas o infante peregrino não estava para aí virado. Furiosa pela recusa, decide vingar-se escondendo uma taça de prata na sacola do moço.  Quando a famíliagermânica encontra-se prestes a abandonar a cidade, a filha do estalajadeiro denuncia o roubo às autoridades, que revistando os pertences dos três caminhantes descobre o vaso na mala do mais n

Resultado de imagem para santo domingo de la calzada gallo

A capoeira com o casal de galos, interior da catedral de Santo Domingo de la Calzada

ovo. Prontamente o jovem é condenado à forca no mesmo dia. No dia seguinte quando os pais visitam o corpo do filho pela última vez antes de seguir caminho encontram-no vivo. Com a felicidade estampada no rosto o jovem disse: “o bem-aventurado Santo Domingo de la Calzada conservou-me a vida perante a rudeza da corda. Hi-de e dai conta deste milagroso prodígio!”. E assim fizeram. Os pais correm a contar ao regedor da cidade mas este não acreditou. Rindo-se de tal notícia o regedor vociferou: “é tão certo o vosso filho estar vivo como este galinha e este galo assado que vou comer estarem vivos também!” E milagre: o galináceo casal de repente ganhou penas novamente e desataram a cacarejar por todos os lados comprovando a nova trazida pelos pais do enforcado agora vivo.

Certo é que ainda hoje se conserva, para espanto de todos que visitam Santo Domingo de la Calzada, numa capoeira improvisada, um casal de galos no interior da Catedral de Santo Domingo.

Não se esqueça, toda a lenda tem um fundo de verdade, acredite ou não.

Ultreia et Suseia! #caminhoportugues #caminhodesantiago #caminhofrances

Urge preservar o Património (mas a culpa não é do Turismo)

(Permitido a transcrição completa e parcial deste artigo com a seguinte cita Santos, Artur Filipe. Urge Preservar o Património (mas a culpa não é do Turismo). Porto, 6 de julho de 2018. Disponível em https://goo.gl/CdnBBd. Acedido a…)

revista del camino de santiago
Ao ler um artigo da Revista del Camino de Santiago (que aconselho vivamente) deparei-me com um atentado ao património edificado “jacobeu” e veio-me à ideia escrever o seguinte ensaio:
 
A Europa vive um verdadeiro “boom” turístico. Aliado a tudo o que promove de bom, todos os dias ouvimos falar de exemplos menos abonatórios, que, na grande maioria das vezes, dizem respeito a atentados contra o Património Cultural.
Diga-se, a bom da verdade, que a culpa não é diretamente do turismo, já que não se deve prejudicar que sempre deu mostras de viver a industria como forma de crescer intelectualmente e de vivenciar experiências multiculturais que até à poucos anos era impensável, dado o nível de vida e as imposições dos estados face à circulação das pessoas.
O problema é mais fundo reside na base cultural “per si”: uma sociedade que vive apenas do flash imediato de uma selfie, uma passagem repentina por um lugar para impor um carimbo imaginário num mapa de conquistas vazias e sem qualquer proveito erudito ou experiência relevante, apenas com o pensamento no destino seguinte.
Tenho vivido, ao longo de ano que levo em em visitas de estudo que realizo, manifestações extraordinárias, não só dos meus alunos mas também de todos os que me ajudam na promoção do património, de apreço e defesa do legado que as gerações que nos antecederam nos deixaram. Mas também é verdade que tropeço de, quando em vez, e em exemplos de desprezo pela herança física e a imaterial.
Mas mais uma vez reforço que a culpa não deve ser imputada ao turismo, nem se deve alimentar essa “turismofobia” que tem vindo a proliferar, já que essa mesma atividade contribui diretamente para a preservação do património. Veja-se o caso da CATEDRAL DE SANTIAGO DE COMPOSTELA: as obras de vulto realizadas na fachado do Obradoiro ou Pórtico da Glória, orçadas em quase 20 milhões de euros não seriam possíveis, a breve trecho, sem os milhares de turistas que, juntamente com os peregrinos do Caminho de Santiago, inundam todos os dias a morada final do Apóstolo Santo.
Este e outros tantos exemplos, aliados ao aumento do emprego, da própria divulgação de um ou outro património mais esquecido, o reavivar de tradições, entre outras manifestações benéficas do turismo.
Mas urge preservar o património reforçando nas estruturas educativas para a importância de defender os três exemplos de património: Natural, Cultural e e Imaterial. Mas, para ser sincero, tudo o que de menos bom a nossa sociedade vive hoje reside apenas numa diminuição de uma cultura de valores intrínsecos a uma sociedade que deve viver por um bem coletivo e esses valores devem sempre ser estimulados continuamente em três pilares essenciais numa sociedade: a família, as instituições de ensino e de cultura e nas organizações que compõem as várias estruturas coletivas desta mesma sociedade (Estado, empresas, associações, instituições desportivias, etc).
Para que “gatafunhos” como o que surge na foto da “Revista Del Camino de Santiago” sejam “limpos” de uma vez por todas.

Burgos, Ourense e Matosinhos: Três Caminhos, Três Cidades, Três “Cristos” de Nicodemus

(Permitido a transcrição completa e parcial deste artigo com a seguinte cita Santos, Artur Filipe. Burgos, Ourense e Matosinhos: Três Caminhos, Três Cidades, Três “Cristos” de Nicodemus. Porto, 25 de junho de 2018. Disponível em https://goo.gl/ajUNv3. Acedido a…)

A grande diferença entre o mito e a lenda é de que o mito surge sempre como forma de explicação para os fenómenos que a Humanidade,  ao longo da sua história e sobretudo em períodos de maiores trevas culturais,  não conseguiu perceber; já a lenda tem sempre um fundo de verdade, isto é personagens históricas que realmente existiram, lugares, eventos fantasiados que ao longo dos tempos se foram, como diz o provérbio, “aumentando” pontos.

A história desta publicação começa na Judeia, algum tempo tempo após a crucificação de Cristo e momentos antes de Santiago partir para a Hispânia. Nicodemus (a tal personagem real que faz deste relato não ser um mito mas sim uma lenda), um fariseu e membro do Sinédrio, defendeu Jesus diante dos restantes membros da assembleia judaica. Cedo se encantou pelos ensinamentos do “Salvador” e, no fim, ajudou José de Arimateia a retirar o corpo da cruz e a guardá-lo no sepulcro. Assim relata a história que atualmente se narra.

Nicodemus Visiting Jesus, 1899 - Henry Ossawa Tanner

Nicodemus visita Jesus (1889), Henry Tanner, Pennsylvania Academy of the Fine Arts, Filadélfia, Estados Unidos.

 

A lenda diz que Nicodemus era um exímio artista com a madeira e um escultor habilidoso.

Na ânsia de perpetuar na memória de todos os que O amaram e daqueles que um dia poderiam ser tocados pela Sua palavra, Nicodemus teve a ideia (ou inspiração divina) de esculpir, em madeira, imagem de Cristo crucificado. Quantas foram a história não grava mas a lenda descreve: terão sido cinco.

Mas como é que três dessas supostas imagens vieram parar a lugares tão distantes como Burgos, Ourense ou Matosinhos? Ao que parece Santiago teve uma cota-parte de responsabilidade.

Ainda na esfera da lenda, a mesma diz que Nicodemus foi perseguido pelos judeus e romanos, assim como os Apóstolos, sobretudo os que eram mais próximos a Cristo: Pedro, João Evangelista e Santiago o Maior.

Um dia, o “Filho do Trovão”, assim lhe chamava Jesus  terá dito a Nicodemus que deveria lançar as imagens ao mar para que estas não caíssem nas mãos dos judeus e com a esperança de que um dia pessoas crentes da nova fé pudessem resgatá-as das águas e erguerem altares condignos para as mesmas.

Às águas do norte da Hispania foi a imagem que agora se guarda, desde o séc. XIX na capela do Santíssimo Cristo da Catedral de Burgos, libertada do mar por um mercador burgalês regressado da Flandres que a encontrou dentro de uma caixa e, chegado a casa, a entregou aos cónegos de Santo Agostinho. Dizem os locais que eta imagem é a mais fiel das seis, já que esta está coberta de pele, o cabelo e as unhas são naturais e que a referida superfície capilar cresce, garantem!

Resultado de imagem para santo cristo catedral de burgos

Imagem do “Cristo de Burgos”, presente na Capela do Santíssimo Cristo de Burgos, Catedral de Burgos, Espanha. Fonte: http://www.catedraldeburgos.es

A Finisterra “aportou” outra imagem, capturada desta feita por pescadores galegos, que no passado e ainda hoje é objeto de grande devoção para as gentes da Costa da Morte:

“Santo Cristo de Fisterra,
santo da barba dourada,
veño de tan lonxe terra,/
santo por che ver a cara.

(…)

Veño da Virxen da Barca,
veño de abalar a pedra,
tamén veño de vos ver,
santo Cristo de Fisterra.”

A escultura crucificada, também coberta de pele, cabelos e unhas naturais e uma “barba” dourada conserva-se agora, desde o séc. XIV, na Capela do Santo Cristo na catedral ourensana.

Resultado de imagem para cristo de ourense

Imagem do “Cristo de Ourense”, presente na Capela do Santo Cristo, Catedral de Ourense, Galiza,  Espanha. Fonte: http://www.turismodeourense.gal

À praia de Matosinhos terá chegado supostamente a mais antiga das três, encontrada também por pescadores e camponeses que logo souberam erguer um templo para guardar tão viajeira relíquia.

Da variedade de imagens mencionada esta tinha duas particularidades: faltava-lhe um braço, perdido durante a tempestuosa viagem pelo “mare nostrum” e pelo “mare tenebrorum” até à costa matosinhense; a outra particularidade é que a imagem era oca e, segundo reza a lenda, Nicodemus terá guardado os instrumentos da paixão: a coroa de espinhos, os pregos, partes do madeiro da cruz original e até mesmo a placa “JNRJ” – Jesus de Nazaré Rei dos Judeus, ou ainda o Santo Sudário. E, claro, à semelhança dos exemplos anteriores, diziam as pessoas da terra que era a mais perfeita de todas as imagens alguma vez esculpidas do Senhor. Mas a história não termina aqui, como as gentes de Matosinhos e do norte do país bem sabem; certo dia uma habitante de Bouças que andava à apanha de lenha junto à praia deparou-se com um toro diferente de todos os outros mas sem nunca suspeitar que seria o braço que faltava da imagem Bom Jesus.

No momento em que acendeu a lareira e mandou para o fogo a lenha encontrada, algo estranho aconteceu: o tal toro de formato estranho saltava sempre que a senhora o atirava para a lareira e foi na última das terras que um milagre aconteceu: a sua filha, que até então fora sempre sempre muda começou a falar, e de uma forma bem audível, diz a tradição, avisou a mãe de que o exemplo de madeira “irrequieto” era nada mais nada menos que o braço ausente do Senhor de Bouças.

A mulher acorreu a avisar a restante população e quando todos acudiram, incluindo o “cura” (padre) de Bouças, logo trataram de colocar o braço que faltava na escultura incompleta. E é como se nunca de lá se tivesse separado.

Resultado de imagem para bom jesus de bouças

Imagem do Bom Jesus de Bouças, altar-mor da Igreja do Bom Jesus de Matosinhos.

A tradição continua, referindo que as restantes esculturas, para além das de Burgos, Ourense ou Matosinhos, se acharam em Luca, na Península Itálica e em Berito, atual Beirute, no Líbano.

Ainda hoje estas histórias são recordadas pelas gentes e relatadas aos peregrinos que alcançam Burgos pelo Caminho Francês, Ourense pela Vía de la Plata (ou Caminho Mozárabe) ou Matosinhos (Caminho Português da Costa).

São relíquias que o rigor dos tempos não derrota, lendas que o passar dos séculos não apaga e que oferece ao Caminho de Santiago uma semântica espiritual e divina, empragnada de uma das mais importantes manifestações de património imaterial: a tradição oral.

Ultreia et suseia!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Detalhes Fotográficos no Caminho Português de Santiago, entre Ponte de Lima e Rubiães

Detalhes fotográficos no Caminho Português de Santiago; Detalles fotograficos en el Camino Portugués de Santiago; Photographic details in the Portuguese Way of Saint James. #fotografia #photography #caminhodesantiago #caminodesantiago #wayofsaintjames #flechasamarillas #caminoportugues #caminhoportugues

Milladoiros no Caminho

Agualonga, Paredes de Coura

Cruz dos Franceses

O Alto da Portela Grande, onde a Labruja quase alcança o céu

O Alto da Portela Grande representa o local onde a serra da Labruja atinge o seu ponto mais alto no que ao Caminho de Santiago diz respeito: 436 metros.

Da eira junto à antiga casa do guarda florestal avista-se, a sul Arcozelo, ainda no concelho de Ponte de Lima, e a norte Agualonga e Romarigães.

Da velha casa do guarda florestal resta a casa em si, uns arrumos toscos e uma cisterna de aproveitamento de água, onde se encontra uma bica na qual brota uma água fresca, livre de sulfitos e outros condimentos costumeiros da civilização pelo simples facto de se encontram no alto da serra, sem espaço para agricultura, mas com paisagem feita idealmente para a pastorícia.

A descer finalmente, depois de subida íngreme feita de pedregulhos, lama e muita incerteza no chão que pisávamos, seguimos para Águalonga, onde nos esperava uma paisagem tipicamente minhota, feita de solares e quintas, igrejas barrocas, capelas de vias sacras, cruzeiros e terreiros. E no final lá chegámos nós a Rubiães, ao albergue de peregrinos, para um longo e merecido descanso. Lá Longe, ultrapassada, a Labruja continua, desafiante mas transponível, assim queira o peregrino, na sua jornada rumo a Compostela.

#caminhoportugues #caminhodesantiago

De Ponte de Lima a Rubiães com a Labruja no Horizonte

A serra da Labruja continua a ser e sempre será a prova mais desafiante para qualquer peregrino que rume a Santiago pelo Caminho Português.

Uma enchente de emoções toma conta do espírito ao chegar à Cruz do Franceses, ao alcançar o alto da Portela Grande, a mais de 400 metros de altitude, mas sobretudo os vários exemplos de fé espalhados pelo Caminho, entre pedras, fotografias, botas, lenços ou vieiras.

Tudo é pretexto para deixar uma marca na rota jacobea a caminho de Rubiães, onde, de uma forma quase épica, esperam-nos dois belíssimos albergues, de S. Pedro de Rubiães, instalado numa antiga escola, e de S. Sebastião, este último privado.

Para voltar a sentir tais emoções impactantes, só lá para Valença, Pontesampaio, a mítica chegada a Padrón ou o sempre surpreendente fim na catedral compostelana. Ultreia et Suseia! #caminodesantiago #labruja #caminhoportugues